quarta-feira, 13 de junho de 2007

Ariano Suassuna critica o racismo de Gregório De Matos e de Gilberto Freire


Durante Sessão Solene que lhe outorgou o título de cidadão baiano, Ariano Suassuna, autor do renomado e premiado da obra O Auto da Compadecida, reconheceu que o discurso de que o Brasil é um país miscigenado, apaga a identidade da comunidade negra e mascara o racismo que existe no país. A vereadora Olívia Santana estava presente na Sessão e representou a Câmara Municipal de Salvador.

Nascido em 16 de junho de 1927, na cidade de João Pessoa, Paraíba, o escritor e teatrólogo Ariano Suassuna tornou-se cidadão baiano, nesta quinta-feira (10). Autor de diversos livros, contos e peças teatrais, como o Casamento Suspeitoso e o Auto da Compadecida, Ariano é agora o mais novo conterrâneo de escritores como Euclides da Cunha, Castro Alves e Gregório de Mattos. Sobre este último fez uma série de elogios lembrando que por toda a sua capacidade de crítica tenaz à sociedade, especialmente, à elite política da época ficou consagrado como "Boca do inferno". Entretanto, Ariano, com seu jeito todo coloquial de falar sobre as coisas, disse de maneira muito indignada que infelizmente tinha que reconhecer que Gregório de Matos era racista.

Suassuna fez a afirmação em relação ao racismo de Gregório de Mattos, ilustrando com a leitura de um trecho da poesia "A huma freira que impedio a outra mandar um vermelho ao poeta de presente, dizendo que à havia satyrizar". Na poesia, Gregório se revela irritado porque uma freira impediu a outra freira de mandar-lhe um peixe vermelho, que ele queria muito receber. Diz um verso da poesia: "Assim como o vosso conselho perdi eu o meu vermelho, percai vós a virgindade: que vo-la arrebate um frade; mas isto que praga é? Praza ao demo, que um cobé vos plante tal mangará que parais um paiaiá, mais negro do que um guiné". Ou seja, a praga que ele jogava contra a freira é que ela tivesse um filho negro.

Ao repetir esse verso, Suassuna contou à platéia um pouco da sua própria história de vida e sobre como se convenceu de que a miscigenação brasileira não resolveu o problema do racismo, como ele sempre imaginara. "Quando o IBGE resolveu realizar o senso, incluindo o quesito cor. Muitos afirmaram que isso iria dividir o Brasil, pois éramos todos misturados. De um lado tínhamos Gilberto Freire que insistia na sua posição de uma nação miscigenada e do outro lado o Movimento Negro que afirmava que o discurso da mestiçagem apagava a identidade dos negros e mascarava o racismo vivido no cotidiano. Eu preferi, deste dia em diante, ouvir o movimento negro. Fui convertido da idéia de que existia não existia racismo no Brasil, por isso resolveu mudei o símbolo que sempre usei para representar a nação Brasileira, que era uma onça castanha, para uma onça malhada", declarou o homenageado.


Presidente da Comissão de Educação e Cultura, a vereadora Olívia Santana, representou a Câmara Municipal de Salvador na Sessão e parabenizou o escritor e teatrólogo Ariano Suassuna pela sua visão crítica das obras de Gregório de Matos e de Gilberto Freire e declarou ser um presente participar de uma sessão tão forte que homenageia uma pessoa tão simples e ao mesmo tempo intensa como o escritor. "Fiquei impressionada com Ariano. Gosto muito da sua obra e da pessoa que ele é. Suassuna expressa muito bem o sentimento nordestino. Mas, o que me emocionou mais foi ouvir a maneira como ele falou sobre o racismo presente na obra de seus colegas escritores consagrados e sobre a maneira como ele passou a compreender a justeza da luta de todos nós, negras e negros. Também achei linda a forma apaixonada e cuidadosa como ele se referia a sua esposa. Um homem de 80 anos, muito à frente do seu tempo", declarou a vereadora.

Ariano Suassuana, demonstrou ser unanimidade entre todos os parlamentares presentes na Sessão Solene. Entrou no plenário da Assembléia, ladeado por deputados de diversos partidos, como: Álvaro Gomes (PC do B), Gilberto Brito (PR) e Zé Neto (PT). O título foi concedido ao escritor através de uma iniciativa do Deputado Estadual Paulo Rangel.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Olívia Santana é uma das homenageadas do livro Mulheres Negras do Brasil


Fruto de três anos de pesquisas em todas as regiões do país, o livro traz o relato da história das mulheres negras desde sua chegada ao Brasil até os dias atuais.

Apresentar um novo olhar sobre o passado e a superar a invisibilidade das mulheres negras, levando ao reconhecimento de suas contribuições na formação de nossa identidade, este é o objetivo do livro MULHERES NEGRAS DO BRASIL, lançado nesta terça-feira (29/05), no auditório do Palácio Rio Branco, com a presença da ministra Matilde Ribeiro e da vereadora Olívia Santana, ambas homenageadas na publicação.

De acordo com os autores, com exceção dos escritos sobre o sistema escravocrata e algumas alusões ao mito Chica da Silva, não se encontram referências e informações detalhadas sobre as mulheres negras em nossos currículos escolares, museus, livros didáticos e narrativas oficiais. Foram três anos de pesquisa em todas as regiões do país, especialmente nos estados do Maranhão, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Para vereadora Olívia Santana a obra possui um grande papel social e afirma que não podia esperar algo diferente da autora Schuma Schumaher, grande feminista, que de forma pioneira buscou dá visibilidade a luta das mulheres negras na construção do país. "Essa publicação é importantíssima e não pode ficar arquivada nas bibliotecas ou estantes das ONG´S, deve ser adquirida por toda rede de ensino e ser referencia tanto para os professores, quanto para os alunos", declarou a vereadora, que atualmente preside a comissão de Educação da Câmara.

A idéia do livro surgiu a partir do lançamento do Dicionário mulheres do Brasil, em 2000, quando Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil, também autores da referida obra, perceberam que muitas lacunas sobre a contribuição dos negros e negras na construção do país ainda precisavam ser preenchidas. Além das entrevistas e dos depoimentos colhidos, eles recorreram a diferentes acervos e documentos históricos, para escrever esse título. A obra apresenta referências, estudos e raridades iconográficas desde antes da chegada dos europeus às terras brasileiras até a atualidade. Os autores relatam o pioneirismo e a garra de diversas mulheres negras, seja nas artes, na política, nos esportes ou nas diferentes atividades profissionais.

O título conta também com cerca de 950 imagens que ilustram o dia-a-dia dessas mulheres.


quarta-feira, 23 de maio de 2007

Encontro de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme

Encontro de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme

Encontro de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme

Será realizados nos dias 6 a 9 de junho, no Grandarrel Minas Hotelem Belo Horizonte, o Encontro Mineiro e Fórum Nacional de Políticas Integradas de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme. A elaboração de ações de fomento à atenção integral às pessoas com doença falciforme só será possível com políticas públicas voltadas para a organização do serviço de saúde prestado aos pacientes dessa patologia. O Brasil possui um número significativo de afro-descendentes e conseqüentemente um número elevado de portadores do traço e com a doença falciforme no país. O encontro se faz oportuno, dessa forma, como marco inicial para subsidiar propostas concretas à implantação de uma Política Nacional de Atenção Integral à Pessoa com Doença Falciforme, para tanto, serão feitas visitas guiadas às instituições que já desenvolvem algum tipo intervenção no combate a essa patologia:Fundação Hemominas, Laboratório de Triagem Neonatal do Nupad da Faculdade de Medicina da UFMG e Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias de Minas Gerais-Cehmob.

A Anemia Falciforme é uma doença hereditária, que atinge principalmente a população negra, resultante de alteração genética caracterizada pela presença de um tipo anormal de hemoglobina denominada Hemoglobina S (HbS). Esta faz com que as hemácias adquiram a forma de foice (daí o nome falciforme) em ambiente de baixa oxigenação, dificultando sua circulação e provocando obstrução vascular. As hemácias têm a função de carregar oxigênio para os tecidos, principal combustível para os órgãos. No caso da doença falciforme, elas são destruídas (hemolisadas), porque, como são em forma de foice, se agregam e diminuem a circulação do sangue nos pequenos vasos do corpo. Com isso, ocorre lesão nos órgão atingidos, causando dor, destruição dos glóbulos vermelhos, icterícia e anemia. A forma mais freqüente da doença, e também a mais grave, é a homozigótica, que é denominada Anemia Falciforme ou Drepanocitose (Hb SS) e ocorre quando a criança herda de ambos os pais o gene S. Quando a criança herda o gene S de um dos pais, e do outro o gene para a Hemoglobina A normal, ela será apenas portadora do Traço Falciforme (HbAS). Neste caso não apresentará a doença, podendo, no entanto transmiti-la para os filhos. Desde 1998 até junho de 2006, foram diagnosticadas 1.597 crianças com a doença falciforme em Minas Gerais. A incidência no estado é, portanto, de 74 casos para cada 100 mil nascidos vivos. O Teste do Pezinho apontou ainda que 462 recém-nascidos eram portadores de outras hemoglobinopatias e 75.117 apresentaram Traço Falciforme.

As inscrições para para participar do Encontro de Atenção às Pessoas com Doença Falciforme podem ser feitas pelo telefone: 0800-7226500 ou sitio www.cehmob.org.br/encontro


de Belo Horizonte

Alexandre Braga