terça-feira, 19 de junho de 2007

3º Congresso da Unegro elege Direção Nacional com 23 membros


NO SITIO DO VERMELHO.


3º Congresso da Unegro elege Direção Nacional com 23 membros

Os 500 participantes presentes na cidade do Rio de Janeiro para o vitorioso encerramento do 3º Congresso da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), realizado de 14 a 17 de junho, aprovaram as resoluções do encontro e ampliaram de 13 para 23 o número de membros da sua Coordenação Nacional neste domingo (17). Esdon França, destacada liderança do movimento negro de São Paulo, foi reconduzido a Coordenação Geral da entidade. Foram apresentadas 72 emendas, sendo 29 aprovadas, a tese guia debatida com mais de 5.000 pessoas de pelo menos 21 estados do país no processo de mobilização

Foram quatro dias de muitos debates, festas, diálogos, encontros, confraternizações que reafirmaram a necessidade de rebelar-se contra o racismo e festejar a cultura e a identidade do povo negro. A Unegro celebrou nestes 3º Congresso seu crescimento expressivo, triplicando de tamanho com relação ao congresso de 2003, onde a entidade estava apenas em 6 estados.

A explosão do crescimento se refletiu na composição na nova Coordenação Nacional (CN) que praticamente dobrou de tamanho com a eleição de 23 membros, antes 13 companheiros participavam da CN, para conduzir o trabalho da entidade para os próximos 3 anos. A presença das mulheres também triplicou na CN, 12 companheiras foram eleitas, antes apenas 4 mulheres participavam da direção.

A unidade na diversidade e amplitude foram marcas do maior encontro da história da entidade que inaugura nova fase com objetivo de alçar vôos para lutas mais massivas a partir de seu expressivo crescimento. No centro da política que deve nortear os rumos da Unegro neste desafio as idéias de que a formação do povo brasileiro é privilegiada pela miscigenação que não anula a existência do racismo expressada das mais diversas formas em nosso país. Neste sentido, a necessidade de promover ações concretas que aglutinem grandes parcelas da população por reparações ao povo negro e por conquistas de ações afirmativas a este povo.

O final do evento foi marcado por muita emoção e rap. Membros do Nação Hip Hop Brasil fizeram o plenário vibrar com freestyle (batalha de rimas entre rappers) que relembrou momentos importantes do Congresso e da luta dos negros.

Veja abaixo a cooordenação eleita no 3º Congresso da Unegro.

Coordenação Nacional da Unegro

Executora das decisões tomadas pelo Congresso e pelo Conselho deliberativo. Também terá a prerrogativa de apresentar ao Conselho as ações políticas a serem implementadas pela entidade.

Coordenação Geral (Edson França)
Coordenação de Finanças (Jerônimo da Silva Júnior)
Coordenação de Relações Internacionais (Olívia Santana)
Coordenação de Comunicação (José Antônio)
Coordenação de Mulheres e Relações de Gênero (Estela Mares)
Coordenação de Juventude (Ângela Guimarães)
Coordenação de Educação e Formação Política (Manoel Júlio)
Coordenação Cultura, Esportes e Lazer – (Carlos Roberto Rodrigues dos Santos) Carlão
Coordenação Trabalho Emprego e Renda (Mônica Custódio)

Suplentes

Geovani Machado
Jorge Antônio Costa
Eronilton Pereira dos Santos

Conselho deliberativo

Será o principal fórum de decisão interno da entidade depois do fórum máximo de delibaração, o congresso nacional. Será eleito para um mandato de 3 anos. Terá representação dos estados onde a Unegro tiver maior acúmulo político e organizativo. Se reunirá pelo menos semestralmente.

Composição do Conselho

Distrito Federal – Sérgio Pedro
Pará – Jairo Silva
Rio de Janeiro – Ernane Guedes
Rio Grande do Sul – Selma Teixeira
Pernambuco – Valmir Rufino
Amazonas – Emanoel Pires
Ceará – Paulo Rogério
Bahia – Léo Ornelas e Ubiraci Matildes
São Paulo – João Mendes e Solange da Silva
Minas Gerais – Zélia Lúcia Lima
Santa Catarina – Michele Magalhães
Espírito Santo – Adriana da Silva

Conselho Fiscal

1º - titular – Roberto Almeida
2º - titular - Girlene de Jesus Santana
3º - titular – Everaldo Vieira

Suplência do Conselho Fiscal

1º - Suplente – Carlos Alberto Silva Junior
2º - Suplente - Maria Otília
3º - Suplente – Fabiana Generoso

Por Carla Santos,
do Rio de Janeiro

Leia também:

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Unegro chama ''Veja'' de racista e defende cotas


LEIA TB NO SITIO DA UNEGRO


http://www.unegro.org.br/
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quarta-feira, 13 de junho de 2007

Ariano Suassuna critica o racismo de Gregório De Matos e de Gilberto Freire


Durante Sessão Solene que lhe outorgou o título de cidadão baiano, Ariano Suassuna, autor do renomado e premiado da obra O Auto da Compadecida, reconheceu que o discurso de que o Brasil é um país miscigenado, apaga a identidade da comunidade negra e mascara o racismo que existe no país. A vereadora Olívia Santana estava presente na Sessão e representou a Câmara Municipal de Salvador.

Nascido em 16 de junho de 1927, na cidade de João Pessoa, Paraíba, o escritor e teatrólogo Ariano Suassuna tornou-se cidadão baiano, nesta quinta-feira (10). Autor de diversos livros, contos e peças teatrais, como o Casamento Suspeitoso e o Auto da Compadecida, Ariano é agora o mais novo conterrâneo de escritores como Euclides da Cunha, Castro Alves e Gregório de Mattos. Sobre este último fez uma série de elogios lembrando que por toda a sua capacidade de crítica tenaz à sociedade, especialmente, à elite política da época ficou consagrado como "Boca do inferno". Entretanto, Ariano, com seu jeito todo coloquial de falar sobre as coisas, disse de maneira muito indignada que infelizmente tinha que reconhecer que Gregório de Matos era racista.

Suassuna fez a afirmação em relação ao racismo de Gregório de Mattos, ilustrando com a leitura de um trecho da poesia "A huma freira que impedio a outra mandar um vermelho ao poeta de presente, dizendo que à havia satyrizar". Na poesia, Gregório se revela irritado porque uma freira impediu a outra freira de mandar-lhe um peixe vermelho, que ele queria muito receber. Diz um verso da poesia: "Assim como o vosso conselho perdi eu o meu vermelho, percai vós a virgindade: que vo-la arrebate um frade; mas isto que praga é? Praza ao demo, que um cobé vos plante tal mangará que parais um paiaiá, mais negro do que um guiné". Ou seja, a praga que ele jogava contra a freira é que ela tivesse um filho negro.

Ao repetir esse verso, Suassuna contou à platéia um pouco da sua própria história de vida e sobre como se convenceu de que a miscigenação brasileira não resolveu o problema do racismo, como ele sempre imaginara. "Quando o IBGE resolveu realizar o senso, incluindo o quesito cor. Muitos afirmaram que isso iria dividir o Brasil, pois éramos todos misturados. De um lado tínhamos Gilberto Freire que insistia na sua posição de uma nação miscigenada e do outro lado o Movimento Negro que afirmava que o discurso da mestiçagem apagava a identidade dos negros e mascarava o racismo vivido no cotidiano. Eu preferi, deste dia em diante, ouvir o movimento negro. Fui convertido da idéia de que existia não existia racismo no Brasil, por isso resolveu mudei o símbolo que sempre usei para representar a nação Brasileira, que era uma onça castanha, para uma onça malhada", declarou o homenageado.


Presidente da Comissão de Educação e Cultura, a vereadora Olívia Santana, representou a Câmara Municipal de Salvador na Sessão e parabenizou o escritor e teatrólogo Ariano Suassuna pela sua visão crítica das obras de Gregório de Matos e de Gilberto Freire e declarou ser um presente participar de uma sessão tão forte que homenageia uma pessoa tão simples e ao mesmo tempo intensa como o escritor. "Fiquei impressionada com Ariano. Gosto muito da sua obra e da pessoa que ele é. Suassuna expressa muito bem o sentimento nordestino. Mas, o que me emocionou mais foi ouvir a maneira como ele falou sobre o racismo presente na obra de seus colegas escritores consagrados e sobre a maneira como ele passou a compreender a justeza da luta de todos nós, negras e negros. Também achei linda a forma apaixonada e cuidadosa como ele se referia a sua esposa. Um homem de 80 anos, muito à frente do seu tempo", declarou a vereadora.

Ariano Suassuana, demonstrou ser unanimidade entre todos os parlamentares presentes na Sessão Solene. Entrou no plenário da Assembléia, ladeado por deputados de diversos partidos, como: Álvaro Gomes (PC do B), Gilberto Brito (PR) e Zé Neto (PT). O título foi concedido ao escritor através de uma iniciativa do Deputado Estadual Paulo Rangel.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Olívia Santana é uma das homenageadas do livro Mulheres Negras do Brasil


Fruto de três anos de pesquisas em todas as regiões do país, o livro traz o relato da história das mulheres negras desde sua chegada ao Brasil até os dias atuais.

Apresentar um novo olhar sobre o passado e a superar a invisibilidade das mulheres negras, levando ao reconhecimento de suas contribuições na formação de nossa identidade, este é o objetivo do livro MULHERES NEGRAS DO BRASIL, lançado nesta terça-feira (29/05), no auditório do Palácio Rio Branco, com a presença da ministra Matilde Ribeiro e da vereadora Olívia Santana, ambas homenageadas na publicação.

De acordo com os autores, com exceção dos escritos sobre o sistema escravocrata e algumas alusões ao mito Chica da Silva, não se encontram referências e informações detalhadas sobre as mulheres negras em nossos currículos escolares, museus, livros didáticos e narrativas oficiais. Foram três anos de pesquisa em todas as regiões do país, especialmente nos estados do Maranhão, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Para vereadora Olívia Santana a obra possui um grande papel social e afirma que não podia esperar algo diferente da autora Schuma Schumaher, grande feminista, que de forma pioneira buscou dá visibilidade a luta das mulheres negras na construção do país. "Essa publicação é importantíssima e não pode ficar arquivada nas bibliotecas ou estantes das ONG´S, deve ser adquirida por toda rede de ensino e ser referencia tanto para os professores, quanto para os alunos", declarou a vereadora, que atualmente preside a comissão de Educação da Câmara.

A idéia do livro surgiu a partir do lançamento do Dicionário mulheres do Brasil, em 2000, quando Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil, também autores da referida obra, perceberam que muitas lacunas sobre a contribuição dos negros e negras na construção do país ainda precisavam ser preenchidas. Além das entrevistas e dos depoimentos colhidos, eles recorreram a diferentes acervos e documentos históricos, para escrever esse título. A obra apresenta referências, estudos e raridades iconográficas desde antes da chegada dos europeus às terras brasileiras até a atualidade. Os autores relatam o pioneirismo e a garra de diversas mulheres negras, seja nas artes, na política, nos esportes ou nas diferentes atividades profissionais.

O título conta também com cerca de 950 imagens que ilustram o dia-a-dia dessas mulheres.